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Auditório Ibirapuera - São Paulo/SP                                                          Fotos  © Thiago Figueiredo
 

 

Quando Vera Figueiredo decidiu realizar o Batuka! Brasil, ela buscava pela criação de um espaço no qual se encontrassem a diversidade cultural brasileira com a música do mundo. Onde aqueles que apenas iniciavam sua jornada na área musical pudessem se encontrar com os que, já consagrados, traziam uma bagagem de conhecimento que os tornava não apenas ídolos, mas também mentores.
Quatorze anos e doze edições depois, o Batuka! Brasil se tornou ponto de encontro de brasileiros vindos de diversos estados do país, tanto para ocupar os palcos do festival como as poltronas do auditório. O público está mais eclético, não se limitando aos músicos, mas incluindo também aos apreciadores da música. O Batuka! Brasil se tornou um festival para todas as tribos.
Nos dias 16, 17 e 18 de julho de 2010, o Auditório Ibirapuera recebeu o Batuka! Brasil em uma edição de tirar o fôlego, incluindo atrações nacionais e internacionais.

 

 

 

A abertura do festival aconteceu na sexta-feira com a apresentação de dois shows. O primeiro a subir ao palco foi o baterista Ramon Montagner, acompanhado por Sidiel Vieira (baixo acústico), Ogair Jr. (piano) e Raphael Ferreira (sax). A abordagem de Ramon para a música brasileira proporcionou uma apresentação rica em interpretação, agradando a todos. Aguardado com ansiedade pelo público, o baterista americano John Riley veio em seguida, e acompanhado por músicos brasileiros. Chico Willcox (baixo) e Erik Escobar (piano) foram colaboradores de um show fantástico. John Riley não se cansava de tecer elogios aos talentosíssimos músicos.

 
 

 

No sábado, John Riley abriu a programação com um workshop focado em técnicas para vassourinhas. Grande nome do jazz, conhecedor profundo do estilo e de sua didática, ele mostrou por que seus livros são adotados em universidades e escolas livres de música de diversos países. Em seguida, subiu ao palco Fernando Amaro, um jovem baterista de 19 anos com um vocabulário musical diverso. Aluno de Vera Figueiredo, ele vem se firmando no cenário musical, e merecidamente. Quem estava presente pode conferir uma performance cheia de energia e conhecimento musical. Entre as músicas que apresentou, estava Sing, Sing, Sing, que Fernando tocou em cima da bateria de Gene Krupa com a Big Band de Benny Goodman.

 

 

 

Christiano Rocha veio a seguir, acompanhado por Claudio Machado (baixo), Fábio Santini (guitarra), Bruno Alves (teclados) e Luciano Khatib (cajon). A banda estava em ótima sincronia, o que rendeu um show memorável. Ele tocou músicas de seu primeiro CD, Ritmismo, entre elas, Cidadão do Mundo (Claudio Machado), Cavalo de Tróia (Christiano Rocha), Circular Paulista (José Roberto Gaia), além de uma inspirada releitura de Take Five (Paul Desmond).

 

 

 

Para finalizar as apresentações, Dom Famularo, subiu ao palco. Considerado um comunicador de grande talento, ele iniciou sua apresentação falando ao público sobre a importância de se fazer o que se escolhe com amor. Ele aproveitou o gancho da Sing Sing Sing, tocada por Fernando Amaro, e contou como e por que Gene Krupa se tornou o primeiro baterista a fazer um solo de bateria. Contador de histórias, todas ligadas à música, mas cabendo a qualquer um, músico ou não, falou sobre Jeff Porcaro, baterista falecido em 1992. Dom contou que, apesar de terem se passado dezoito anos, ele ainda reconhece quando é Jeff tocando uma música que ele ouve. Foi para Jeff a música que Dom compôs e tocou no Batuka! Brasil. Dom também mexeu com o público ao parar diante da bateria e conversar com ela, dizendo: “Hello Drums... I’m baaaaack! I missed you... Now I’m going to play each and everyone of you. Some soft and some reaaaaally hard!”, e então tocou solos extremamente expressivos, aprofundando-se na sonoridade dos pratos, abusando da dinâmica para nos tirar o fôlego.

 

 

 

Antes de finalizar, Dom chamou ao palco Christiano Rocha, Fernando Amaro e Vera Figueiredo, regendo uma Jam de bateristas.

 

 

 

No domingo, a abertura foi dos três finalistas do Concurso Nacional de Bateristas. Darlan Marley (Natal/RN), Dennis Bulhões (João Pessoa/PB) e Ivan de Castro (S.B.Campo/SP) se apresentaram para o público e para os jurados Dom Famularo, Aquiles Priester, Joshua Dekaney e Daniel Gohn. Eles tocaram, primeiramente, uma música que eles mesmos escolheram, seguido por um solo e, por fim, uma música de confronto, a mesma para os três, Mr. Banana, composta por Vera Figueiredo em homenagem ao baterista Milton Banana. Dennis Bulhões foi o vencedor do Concurso Nacional de Bateristas.

 

 

 

O baterista e percussionista Joshua Dekaney apresentou um workshow, uma mistura de workshop com show. Ele falou um pouco sobre a história da música americana, passando pela gospel, fazendo um paralelo entre a tocada nas igrejas dos EUA, em geral, e a música tocada especificamente nas igrejas de New Orleans, após sofrerem a influência da música negra. Acompanhado por Fábio Martinez (baixo), Alexandre Magnani (guitarra) e Kiko Bispo (teclados), ele tocou e cantou algumas canções, entre elas The Entertainer (Scott Joplin) e Nagô, Nagô (Mestre Walter). Saindo da bateria, ele tocou, no cajon, uma composição de sua autoria: Gypsy Blood.

 

 

 

Mais uma vez, Dom Famularo subiu ao palco e encantou o público presente. Foram mais histórias envolventes e solos fantásticos, consolidando este como um dos mais completos bateristas contemporâneos, e um comunicador sem igual.
Em seguida, foi a vez de Edu Ribeiro e o Trio Corrente, também formado por Paulo Paulelli (baixo) e Fábio Torres (piano). Entre as músicas que tocaram estão Chorinho pra você (Severino Araujo), Tarde (Milton Nascimento) e Amor até o fim (Gilberto Gil), prestando uma homenagem ao Toninho Pinheiro, também um dos bateristas ao qual foi dedicado o CD Batuka! 2004. Edu Ribeiro cria o clima das músicas, através da sua técnica e dinâmica, remetendo ao cool jazz, mas com roupagem brasileira.

 

 

 

Para encerrar o festival, Dom Famularo voltou ao palco para conduzir uma Jam de tambores, caixas e cajon, contando com com Joshua Dekaney, Daniel Gohn, Fernando Amaro, Edu Ribeiro, Christiano Rocha, Vera Figueiredo, Simone dos Santos, Aquiles Priester e o vencedor do Concurso Batuka! 2010, Dennis Bulhões, levando o público ao delírio. Encerramento digno de um festival que preza pela diversidade.

 

 

 
 
 
  • Foi a segunda vez que Ramon Montagner se apresentou no Batuka! Brasil. A primeira foi em 1997, em uma performance com Alexandre Cunha.

  • John Riley, Chico Willcox e Erik Escobar tocaram pela primeira vez juntos na passagem de som, no mesmo dia da apresentação do show. A sincronia foi imediata.

  • Fernando Amaro tocou pela primeira vez no Batuka! Brasil na abertura do Batukinha!, concurso para bateristas até 13 anos, em 2003.

  • Joshua Dekaney é americano e mora nos Estados Unidos, mas fala português muito bem. Ele é casado com uma brasileira.

  • Fernando Amaro dedicou a música Out In The Open ao seu compositor, John Riley. O que o deixou muito nervoso foi tocá-la com o próprio John Riley assistindo, bem atrás dele!

  • Dom Famularo contagia ao contar histórias verídicas, que vem colecionando durante suas viagens. Seu entusiasmo levou o seu intérprete a ‘traduzir’ até mesmo um grito que Dom deu.

  • Dom Famularo afina cada tambor com toda atenção. Ele usa apenas 2 overs e 1 microfone para bumbo. A captação é bem rápida e permite que o próprio Dom mixe o som naturalmente, utilizando a dinâmica.

   
   

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